30 de outubro de 2013

Crosslinking do Colágeno

No ceratocone, a córnea sofre afinamento e perda de rigidez. Isso resulta em uma área mais abaulada  que provoca distorção e embaçamento das imagens, similar aos provocados por altos astigmatismos.

30

O Cross-linking  do Colágeno corneano tem como proposta evitar que ocorra a progressão da doença, ou seja, o afinamento progressivo da córnea e o aumento da curvatura da mesma.

O tratamento consiste em desepitelizar a córnea após anestesia tópica (colírio), instilar riboflavina (vitamina B2) e aplicar luz UV-A por 30 minutos.

31

32

O Cross-linking aumenta a resistência corneana e induz a um aumento da espessura corneana, assim estabilizando e fortalecendo a córnea.

O procedimento não é realizado para melhorar a visão, o objetivo principal é diminuir o risco com que a doença piore. Foi idealizado em 1990, na Alemanha, sendo internacionalmente denominado de CXL (Corneal Cross-link).

Único procedimento curativo para o ceratocone, o transplante de córnea, como sabemos, traz riscos de complicações, entre eles: alto astigmatismo, anisometropia, rejeição, infecção, glaucoma, catarata e doenças relacionadas à superfície ocular.

Nesse cenário, o CXL surge como uma opção terapêutica menos agressiva e com forte potencialidade para controlar a progressão do ceratocone e de ectasias corneanas pós-cirúrgicas, justamente por agir no mecanismo fisiopatológico da doença, endurecendo a córnea.

14

A córnea com fibras de colágeno menos unidas, será mais frágil (deformável) em comparaçao com a córnea com fibras de colágeno mais unidas (Cross-linking- CLX)

33

Fortalecimento da Córnea após a cirurgia de Cross-linking, pela maior uniao das fibras de colágeno conforme ilustração abaixo.

34

Estima-se que mais de 100 mil portadores de ceratocone já se beneficiaram com o tratamento pelo Cross-linking no mundo.

Em 2004, Wollensack et al. trataram 22 pacientes com ceratocone e obtiveram uma redução de 2 dioptrias no valor da curvatura corneana em 70% dos pacientes, e todos (100%) tiveram sua doença estabilizada. Valores semelhantes foram posteriormente encontrados por outros pesquisadores. Relatos na literatura têm apontado um aumento na rigidez corneana de até 300%.

Como o Cross-linking é realizado?

O Cross-linking é feito com anestesia tópica (gotas de colírio). A superfície da parte central da córnea é removida e são aplicadas gotas de riboflavina durante cerca de 30 minutos.

Depois que a riboflavina tiver penetrado bem no olho, a luz UV é focalizada sobre a área central da córnea por mais 30 minutos.

Por fim, são colocadas lentes de contato como forma de curativo e que serão usadas por, pelo menos, sete dias, até que a superfície da camada epitelial esteja cicatrizada.

Resultados do Cross-link:

Embora o tratamento tenha como objetivo o aumento da rigidez da córnea (força biomecânica) e não a melhora da visão do paciente, foi observado em alguns estudos, que cerca de 25% das pessoas submetidas ao tratamento obtiveram a melhora de uma linha de visão e a redução da curvatura corneana central ocorreu em 70% dos casos. Estes resultados foram alcançados em torno de 90 dias após a realização do procedimento, sendo que no primeiro mês de pós-operatório ocorre em geral, uma redução da visão, fruto de leve opacidade corneana decorrente do tratamento.

Início do Cross-link (CXL) no Brasil e no mundo:

O início do tratamento deu-se na Suiça, há cerca de 13 anos, através dos estudos realizados pelo Dr. Theo Seiler, já com milhares de casos realizados.

Atualmente, o procedimento vem sendo realizado rotineiramente nos principais países da Europa e também no resto do mundo, aprovado pelo FDA Estados Unidos.